Li ontem na Visão um fait-divers(zinho): um inglês ganhou o euromilhões depois de insistir em jogar durante 12 anos. Ganhou cinquenta mil milhões de euros. Muito dinheiro, heim?! Os planos que confessou ter foi: fazer uma viagem e … comprar um carro novo, porque até ao momento só tinha tido carros em segunda mão. Um carro novo?!!!
Noutra secção da mesma revista, fala-se de desemprego no vale do Ave, uma terra de miséria mas onde o representante da Porsche, em dois meses realizou o objectivo de um ano inteiro, reconhece que tem vendido que se farta. Porsches, atenção, não é qualquer coisa.
Todos nós sabemos que em qualquer concurso de tv, se o prémio recebido for ‘razoável’, o premiado explica logo que o que vai fazer com o dinheiro é «comprar um carro».
Mesmo na roda dos nossos amigos, sabemos que se a conversa for sobre o que se faria com a sorte grande, a maioria totalidade dirá logo «comprar um carro» e, claro que se a sorte for mesmo grande, também pagar a casa é claro… Mas a ideia do ‘carro novo’ brilha com uma luz especial, é a primeira ideia que ocorre.
Não, eu não sou diferente. Incluo-me nesse grupo, não estou a criticar nada. Se escrevo isto é para reflectir em conjunto convosco porque é que o automóvel nos atrai como um íman. E ainda mais quando ele se banalizou tanto que há famílias com vários, quase vemos um para cada membro da família… Será porque as distâncias hoje também são maiores? Ou porque se deixou de andar a pé? Ou porque os transportes públicos levam muito tempo? Ou porque ‘todos têm’? Ou porque nos dá mais liberdade de movimentos?
É claro que pode ser tudo isso junto e talvez o resquício do tempo em que ter um carro ainda era um sinal exterior de riqueza. O que explica alguns casos onde se vê um automóvel à porta a brilhar como uma estrela, e o interior da casa dos donos é de um desconforto e desleixo inacreditáveis. Só que isso não chega. Os sinais hoje em dia são outros como todos sabemos. Não é por se ter carro que se é rico ou não (mais rico é andar sempre de táxi, olaré !) e aquilo até é uma fonte de arrelias muitas vezes.
Mas é assim. Perante um dinheiro inesperado, a malta trata logo de melhorar o seu carrito.
Será um bom negócio ter um stand de automóveis…?
Começa-se assim, com o primeiro carro.