Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

O fim do Natal

Entre os que gostam da época e os que não gostam, e até os que a acham «assim-assim», a verdade é que, sobretudo no ocidente, não se fica indiferente à época «Natal» (até como referi, para embirrar com ele...)
Muita «magia», os pais-natais que aqui há uns anos existiam só na fantasia infantil, hoje aparecem a tirar fotos nos Centros Comerciais, com meninos ao colo e até os vemos por aí aos montes, em tamanho reduzido, a subirem pelas paredes dos prédios, desdenhando da tradição da chaminé.
Mas sabemos que não é só esse aspecto (importante) das prendas aos meninos que se portam bem – mas, alguma vez, um que se tenha portado mal ficou sem prenda? – e com o andar dos tempos essa troca de presentes entre toda a gente causando a aflição dos lojistas quando a coisa não corre bem. É muito mais do que isso. É a preparação da comida nesses dias, que é sempre com uns manjares especiais, é o encontro entre as pessoas, que mesmo que se vejam poucas vezes por ano, nestas dias aparecem para dar um abraço, e é…. tá, tá, tá, tá, os enfeites típidos da época. Até as ruas se enfeitam com luzes, e até faz parte da tradição ir dar um passeio à noite para as ver acrescentando a nossa opinião, nem sempre simpática…
E sobretudo a nossa casa.
No meu caso, isto dura cerca de um mês.
Nos inícios de Dezembro, aproveitando os feriados, a casa transmuta-se por magia. E é engraçado que mesmo que dê trabalho, é sempre com muitos risos e grande paródia que se vai inventando enfeites novos, locais originais, ou procurando o local exacto daquele que é ‘sagrado’, tem de ser exactamente em determinado sítio …
E são vitraisinhos nas janelas, coroas de verdura nas portas de casa, uma mais espampanante para a porta da rua, montes de fios doirados ou prateados saindo dos objectos mais vulgares, estrelas, sinos, flores, velas, a casa parece que levou com uma varinha de condão das de boa qualidade. Até a luva de banho, neste período, é a cara do Pai Natal! :)
E já salto por cima do prato de resistência, que é o maravilhoso pinheiro, é claro! Nisso nem falo!
E vivemos um mês inteiro numa espécie de «casa encantada». Depois chegam «os reis». E o sonho tem de voltar para o baú…
Hoje, olhei para a minha casa e achei-a tão vazia… Ná. Tenho de dar uma volta a isto. Dinheiro para remodelações não há, mas sempre se pode mudar o lugar de um ou outro móvel, trocar um candeeiro de sítio, passar a usar uma louça que estava mais guardada, enfim, dizer adeus ao Natal, mas ao menos não regressar para a mesma casa que estava a habitar em Outubro. Talvez daqui a uns tempos, lá para fins de Fevereiro, tudo volte então à rotina.

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

Nos areópagos* internacionais

Como «o meu negócio nunca foram números» trocando a frase da famosa rábula do Jô Soares, fico muito baralhada quando exactamente os argumentos são todos à base de «números».
Uma contradição tão grande (grande em todos os sentidos!) deixa-me muito baralhada:
1º -
«Os países da União Europeia decidiram reduzir este ano para metade os aumentos salariais dos funcionários das instituições europeias.»
É coisa séria. Não é uma decisão que se tome de ânimo leve. É reduzir para METADE os aumentos esperados. E, é um caso interessante em que todos estiveram de acordo, todos à uma acharam que faziam muito bem e seria excelente para a economia.
É claro que se pode pensar (leigos, como eu) que ganhando menos certamente gastarão menos, comprarão menos produtos, e as empresas ganharão menos... Fica tudo mais poupadinho.

Porém a Comissão Europeia, também por unanimidade, decidiu levar a tribunal esses mesmo 27 países que tinham tomado tal decisão, porque ia contra a sua orientação
Que confusão.
E tudo sempre por unanimidade.
Possivelmente como estas coisas de Tribunais, mesmo internacionais, levam um tempo considerável a chegar a uma conclusão, quando vier a sentença já os aumentos foram normalizados porque entretanto já se passaram alguns anos.
Mas lá que faz confusão, isso faz.

* apeteceu-me escrever aéropago para se ver que sou uma moça letrada, além de que a palavra não se consegue levar a sério...


Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Histórias do meu bairro

De vez em quando falo aqui no meu Bairro. É um Bairro normalíssimo, não dos mais antigos, nem dos mais modernos, costuma entrar nas Marchas da Sto António mas não ganha nada, que me lembre... Ando ultimamente um tanto arreliada e neste caso nem é com a Junta nem com a Câmara, é mais com os meus vizinhos moradores que não têm nenhum cuidado com o que atiram para o chão e as ruas andam numa vergonha. Restos de comida, embalagens, papeis velhos, cocó de cão e de pombo, e muitas outras porcarias que nem vale a pena enumerar, dão aqui ao bairro um ar desmazelado e desta vez a culpa é mesmo dos moradores.
Mas estou a desviar-me do que vinham contar.
Depois de umas grandes discussões e polémicas entre a Junta e a Câmara, lá se conseguiu que dois cantinhos de duas ruas adjacentes, fossem programadas para ser ajardinadas e afastada a ameaça que muito nos tinha assustado de construírem ali um prédio enorme e completamente fora do padrão daquelas ruas.
Ufff...
O Boletim da Câmara, antes das eleições apressou-se a meter nas nossas caixas do correio a história toda da sua luta e vitória, explicando que ia ali surgir um belo «arranjo paisagístico». Tivemos de rir, perante a pomposa expressão, porque naqueles pequenos metros que iam ser usados o «arranjo» não podia meter lá grande paisagem...
Mas muito bem. O cantinho do lado esquerdo, avançou. Todo arrelvadinho, dois ou três arbustos, 3 bancos de jardim e uns pirolitos para os automobilistas não enfiarem ali os seus carros, a coisa ficou airosa. Gostei.
Ficámos então à espera do lado direito. Aí o espaço já era maior, tinha uma 3 árvores, e o terreno tinha uns altos e baixos que talvez desse para «um arranjo» mais imaginativo... O tempo passa, andam por lá umas máquinas a alisar a coisa (afinal a minha ideia dos altos e baixos era parva) e vai-se vendo à volta o empedrado do que vai ser o passeio. E a gente à espera. Já andavam por aqui umas bocas a dizer que a obra só ficava pronta nas próximas eleições municipais...
Mas de facto tinha havido algum movimento, que depois tinha parado. Estranho!
Ontem soube: a relva que iam colocar ali, igual à do outro cantinho à esquerda, era daquela que se vende em rolo, a metro. Portanto os responsáveis, lá tinham tirado as medidas, feito a encomenda e mandado descarregar a dita relva. Na sua inocência pensavam que era chegar no dia seguinte e plantar a dita. Pois sim. Pela calada da noite, uma outra camioneta e respectivos especialistas, gamaram aquelas toneladas de verde, prontinhas a ser plantadas e regadas. Foi como roubar uma alcatifa!!!! De manhã estava lá o sítio!
Portanto, por agora, ou se anda por aí por alguns campos de futebol a ver se reconhecem uma relvazinha recém plantada, ou voltamos à estaca zero, e o canto direito da minha rua continua um belo campo que talvez se pusesse uma vedação à volta e alguém a vender bilhetes daria para uns banhos de lama às senhoras que cuidam mais da sua estética. Dizem que faz bem. E era só lucro.
Pelo menos enquanto chovesse...

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

Mais, mais, mais, mais...

Sempre me impressionou os diversos « Guinness» que nascem por todo o lado.
O ser mais qualquer coisa. Mais forte. Mais leve. Mais asseado. Mais falador. Mais comprido. Mais feio. Mais escuro. Ou até o ser «menos» o que também é um modo de ser mais, o mais menos...
Essa coisa de se ser MAIS, pretende ser uma comparação com o resto do mundo (?!) admitindo que esse «resto do mundo» como é ‘menos’ do que nós, é pior. Tenho de aceitar que muita gente assim pense, ou não havia o Guinness, mas é um modo de pensar que me faz sentir Marciana uma verdadeira ‘estranha numa terra estranha’
Agora, a última maluquice do MAIS, é a famosa Torre do Dubai.
Lá conseguiram construir uma coisa que é a mais alta do Mundo.
Ena!!!
Tem mais de 800 metros de altura e uns 160 andares.
E depois...?
O que é que isso prova?


Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

Queixas ou queixinhas

É curioso como nós apreciamos tanto fazer queixinhas mas evitamos fazer queixas. Já há bastante tempo li um estudo qualquer onde se confirmava que os portugueses são dos povos que menos queixas fazem (queixas ‘a sério’, fundamentadas, com consequências)
Achei interessante este aspecto do nosso medo de nos queixarmos a sério. No início do mês passado, escrevi para aqui um post, chamado «Consultas a tempo e horas» e ironizava um pouco porque me parecia que o tal «tempo e horas» era excessivamente tolerante e uma pessoa poderia ficar seriamente doente antes de chegar ao momento de ser avaliada pelo especialista.
Curiosamente, este fim de semana, encontrei outra notícia na mesma linha:
Há um ano que os utentes do Serviço Nacional de Saúde têm um tempo máximo de espera para serem atendidos, [passado o qual a instituição pode ser multada,] mas são ainda poucos os que reclamam - apenas «meia dúzia» - apesar dos atrasos serem muitos
Segundo essa norma com mais de um ano, um doente não deve poder esperar mais de 15 dias úteis por uma consulta num centro de saúde, e para renovação de medicamento só deve esperar 72 horas.
O interessante é que como as queixas foram por aquilo que ali se diz meia dúzia, naturalmente que o sr. Presidente da ERS rejubila, tem na sua frente a prova de que tudo está a funcionar bem! Tem de ser. Ou então havia mais queixas...

O que é que vos parece?
Antigamente (e talvez agora também, não ando muito atenta) havia uns homenzinhos que montavam umas bancas junto do Arquivo de Identificação Nacional, para ajudar os meios analfabetos que iam tirar o seu BI mas olhavam para os papeis que tinham de preencher como boi para palácio. Esses senhores das bancas lá apuravam a sua caligrafia e o candidato só tinha de assinar no fim e, claro, pagar o trabalho do outro. É que de facto a escrita nunca foi uma grande qualidade nossa.
Assim é o mistério das queixas formalizadas!
Se os ‘chico-espertos’ se lembrassem de montar umas bancas dessas junto dos CNS, se calhar a tal meia dúzia de queixas sofria um aumento exponencial. Ou talvez não. Talvez apenas com a ‘ameaça’ de que a queixa se concretizasse a coisa acelerasse de repente.
Não me esqueço a única vez em que pedi um «Livro Amarelo». Estava cheia de razão, é claro, mas ainda teria ‘fechado os olhos’ (o tal bom feitio português) se me tivessem dado uma explicação amável. Mas perante a grosseria da resposta, limitei-me a dizer secamente «pode fornecer-me o Livro Amarelo?». Fez-se um silêncio gélido e fui conduzida através de vários gabinetes, que aquilo devia estar bem guardado. Só vos digo, que assim que me sentei com o livro à frente, e ia destapar a caneta, tinha ao meu lado alguém ofegante que tinha vindo a correr com o meu problema resolvido!!!
Ou seja, queixinhas fazemos desde crianças, e não vamos longe.
Queixa séria e fundamentada talvez altere alguma coisa.


Domingo, Janeiro 03, 2010

Uma música ao Domingo

Sábado, Janeiro 02, 2010

«Boas Notícias»

Deixem-me brincar hoje um bocadinho
Acho que é uma boa notícia ser o dia 2 de Janeiro, ou seja..... não haver ainda tempo para haver mesmo más notícias.
Se não há más... são boas! :)